Juíza falou sobre a participação da Universidade na rede de proteção. “A prevenção precisa começar também pela educação para que não chegue, de fato, ao tribunal.”

O curso de Direito da Unifipa promoveu, na noite desta terça-feira, 15 de setembro, a segunda noite de seu ciclo de palestras no campus São Francisco. O encontro reuniu estudantes e profissionais da área jurídica para discutir tema de grande relevância social: o papel da universidade como integrante ativo da rede de proteção no combate à violência contra a mulher. A palestra foi ministrada pela juíza titular da Vara Única da Comarca de Urupês, Dra. Patrícia da Conceição dos Santos, que compartilhou com os participantes sua experiência profissional e destacou a necessidade de aproximar o ambiente acadêmico das instituições que atuam na prevenção e no enfrentamento à violência.

A magistrada ressaltou que o combate à violência não deve ficar restrito aos órgãos responsáveis pelo atendimento das vítimas ou à atuação do Poder Judiciário. Para ela, a universidade também possui papel estratégico, principalmente na formação de profissionais que estarão diretamente envolvidos com questões relacionadas à proteção de direitos. “É fundamental manter relação próxima entre a universidade e toda a rede de proteção, especialmente com os cursos de Direito e aqueles que têm, de alguma forma, missão de proteger as mulheres e qualquer pessoa contra atos de violência. Essa proteção precisa ser pensada em todas as esferas, seja social, política ou, principalmente, familiar. A formação acadêmica é essencial para que os futuros profissionais compreendam que o enfrentamento à violência é responsabilidade compartilhada e que a prevenção precisa começar também pela educação e pela conscientização antes de chegar, de fato, ao tribunal”, afirmou Dra. Patrícia.

Com trajetória marcada pela atuação e pelo estudo das questões relacionadas à violência doméstica, familiar e de gênero, a juíza também desenvolve ações de conscientização e capacitação voltadas ao fortalecimento da rede de proteção. Entre essas iniciativas está o Projeto Flor de Lis, criado para articular diferentes setores da sociedade no enfrentamento à violência e na promoção de uma cultura de prevenção. O projeto reúne representantes de diferentes áreas e instituições, como Judiciário, Ministério Público, forças de segurança, Poder Público, educação, saúde e assistência social, buscando ampliar a atuação integrada diante dos casos de violência e fortalecer ações preventivas. A proposta também contempla atividades de conscientização em escolas e comunidades, levando informação e orientação a diferentes públicos.

A experiência da magistrada com o trabalho em rede contribuiu para ampliar a discussão entre os acadêmicos do curso de Direito, especialmente sobre a necessidade de atuação que ultrapasse os limites dos processos judiciais.

Para o coordenador do curso de Direito, Prof. Dr. Alexandre Fontana Berto, a participação da magistrada possibilitou aos estudantes a experiência prática de atuação na área. “É sempre privilégio podermos contar com a presença da juíza Dra. Patrícia e compartilhar sua experiência sobre tema de tão grande relevância jurídica e social. O tema desta noite nos convidou a compreendermos que a universidade e todo seu equipamento acadêmico pode estar ao lado da prevenção, conscientização, formação e fortalecimento da rede protetiva”, destacou.

Após a apresentação, os participantes fizeram perguntas à magistrada, ampliando o debate sobre prevenção, acolhimento, proteção das vítimas e a responsabilidade dos diferentes setores da sociedade no enfrentamento à violência.

A programação de palestras do curso de Direito segue até esta quinta-feira, 17 de setembro, no campus São Francisco. Informações sobre como participar podem ser obtidas pelo telefone (17) 3311-4800.

Fotos: Comunicação FPA

Texto: Alan Gazola – Assessoria de Imprensa Fundação Padre Albino