Fonte: Ovadia Saadia – Febracos/SP

Fotos: Divulgação

São Paulo participa do FIT Rio Preto com produções que abordam diferentes questões da realidade brasileira. Em Cena Ouro – Epide(r)mia, a Cia. Mungunzá de Teatro investiga as relações humanas e sociais da Cracolândia; o Coletivo Negro revisita conto de Machado de Assis para refletir sobre os impactos da escravidão e do racismo estrutural em Pai contra Mãe ou Você está me Ouvindo?; o Grupo Sobrevento apresenta Para Mariela, criação inspirada em histórias de crianças imigrantes bolivianas sobre memória, pertencimento e migração; e o Coletivo (se)cura humana leva Corpo-Árvore, montagem que articula performance, instalação e tecnologia para discutir emergência climática, devastação ambiental e possibilidades de regeneração dos ecossistemas. E Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco articula memória, pandemia, tradições populares e o pensamento de Darcy Ribeiro para refletir sobre o Brasil contemporâneo
Com atrações da Palestina, México e Chile, além de oito estados brasileiros, o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT Rio Preto) realiza a edição de 2026 de 16 a 25 de julho. Considerado um dos mais tradicionais eventos de artes cênicas do país, o Festival celebra 57 anos de história e 24 edições internacionais, com 32 espetáculos teatrais. A edição atual marca o retorno da realização conjunta entre a Prefeitura de São José do Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e o Sesc São Paulo. A parceria amplia a capacidade de realização do FIT Rio Preto e fortalece uma programação que reúne grupos de diferentes regiões do país e atrações internacionais, contribuindo para o intercâmbio artístico e a descentralização da cena teatral.
Seis produções da capital paulista estão na programação, incluindo o espetáculo de abertura {FÉ}STA, do Coletivo Prot{agô}nistas (SP). A abertura oficial acontece no dia 16 de julho, às 20h, no anfiteatro da Represa. O espetáculo circense tem como ponto de partida quatro elementos ligados à experiência humana: morte, nascimento, união e fé.

A montagem mistura circo, dança, música ao vivo e performance para abordar questões relacionadas à memória, ancestralidade e à experiência da população negra em diáspora. A encenação é construída a partir de números acrobáticos, ações coletivas e referências a manifestações culturais e religiosas de matriz afro-brasileira, propondo uma reflexão sobre os ciclos da vida e as formas de permanência e continuidade das comunidades negras.
A Cia. Mungunzá de Teatro volta seu olhar para a região da Cracolândia, no centro de São Paulo, para investigar as relações humanas, afetivas e sociais que atravessam esse território em Cena Ouro – Epide(r)mia. Criado a partir de uma pesquisa desenvolvida pela companhia junto a moradores, frequentadores e trabalhadores da região, a trama envolve teatro, música e performance para abordar questões ligadas à exclusão social, à convivência urbana e às políticas de controle dos corpos e dos espaços públicos. A companhia constrói uma encenação que aproxima experiência artística e realidade social, propondo reflexões sobre as formas de sobrevivência, resistência e pertencimento presentes naquele contexto.
Trabalhando também com a temática negra, Pai contra Mãe ou Você está me Ouvindo? é uma concepção do Coletivo Negro, grupo paulistano que há mais de 18 anos desenvolve pesquisas sobre identidade afrodescendente e representação negra na cena contemporânea. Com direção e dramaturgia de Jé Oliveira, a trama parte do conto Pai contra Mãe, de Machado de Assis, para investigar como a herança da escravidão permanece presente nas desigualdades raciais e sociais do Brasil. A montagem revisita o texto machadiano a partir de uma perspectiva contemporânea, unindo memória, violência e permanências históricas para refletir sobre os impactos do racismo na formação da sociedade brasileira. O projeto foi indicado aos prêmios Shell, nas categorias Melhor Direção e Figurino, e APCA, nas categorias Melhor Direção e Espetáculo.

Em Para Mariela, o Grupo Sobrevento transforma histórias de crianças imigrantes bolivianas que vivem no entorno de sua sede, na zona leste da capital, em uma reflexão sobre pertencimento, memória e os sonhos que acompanham a experiência da migração. Utilizando objetos cotidianos, teatro de animação e sonoridades inspiradas em diferentes regiões da Bolívia, a narrativa perpassa por temas como a infância, os afetos e a busca por um futuro possível. A montagem foi criada para celebrar os 40 anos de trajetória da companhia, referência nacional no teatro de animação desde sua fundação, em 1986.
Outra atração é Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco, primeiro espetáculo do projeto Os Brasis de Darcy – Biografias de um País em Extinção, pesquisa que investiga diferentes biomas e territórios brasileiros a partir da criação cênica. Com concepção e direção de Hercules Morais e dramaturgia assinada em parceria com Angela Ribeiro, a montagem é formada por um grupo de artistas de diversas regiões do país e desenvolve um trabalho que articula teatro, pensamento crítico e escuta de comunidades e paisagens ameaçadas.
Em cena, um homem comum, após brigar com Deus, revisita a própria história e tenta compreender como poderia ter evitado uma tragédia. Entre o sertão e a cidade, a dramaturgia aproxima a pandemia, a polarização política, os escritos de Darcy Ribeiro, tradições negras e indígenas, a Folia de Reis e referências da tragédia grega para refletir sobre memória, luto, esperança e os riscos que ameaçam o Cerrado e outros territórios brasileiros.
Já o Coletivo (se)cura humana apresenta Corpo-Árvore, uma criação que investiga as relações entre arte, ativismo socioambiental e emergência climática. Em cena, a última árvore é encontrada destruída e um grupo de sobreviventes tenta fazê-la reviver por meio de uma árvore-máquina capaz de restaurar os chamados rios voadores.
A montagem reúne performance, instalação e recursos tecnológicos para refletir sobre devastação ambiental, regeneração dos ecossistemas e os limites da intervenção humana diante da crise climática. Fundado em 2015, o coletivo desenvolve projetos que aproximam arte, pesquisa e ação comunitária, abordando temas como água, racismo ambiental, mineração e mudanças climáticas.

{FÉ}STA (SP)
Data: 16/07 (Quinta-feira), às 20h
Local: Anfiteatro Nelson Castro (Av. Duque de Caxias – Vila Ercília).
Classificação: ALivre. Duração: 75 min

CENA OURO – EPIDE(R)MIA (SP)
Datas: 17/07 (Sexta-feira) e 18/07 (Sábado), às 19h
Local: Teatro Paulo Moura (Av. Duque de Caxias, 3900 – Jardim dos Seixas).
Classificação: A14. Duração: 90 min

CORPO-ÁRVORE (SP)
Data: 20/07 (Segunda-feira), às 20h
Local: SWIFT 2 (Avenida Duque de Caxias, 3900 – Vila Ercília)
Data: 21/07 (Terça-feira), às 16h
Local: Favela Marte
Data: 22/07 (Quarta-feira) às 16h
Local: Praça Rui Barbosa – Centro
Classificação: ALivre (todas as sessões). Duração: 45min (todas as sessões)

PARA MARIELA (SP)
Datas: 22/07 (Quarta-feira) e 23/07 (Quinta-feira) às 19h
Local: SWIFT (Avenida Duque de Caxias, 3900 – Vila Ercília).
Classificação: ALivre. Duração: 75 min.

PAI CONTRA MÃE OU VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO? (SP)
Datas: 23/07 (Quinta-feira) e 24/07 (Sexta-feira), às 21h
Local: Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto (Av. Brg. Faria Lima, 5381 – Vila São José) Classificação: A14. Duração: 80 min.

REPUBLIKKK OU ENCRUZILHADA NÃO É BECO (GO)
Datas: 24/07 (Sexta-feira) e 25/07 (Sábado), sempre às 21h.
Local: Ginásio Sesc (Av. Francisco das Chagas Oliveira, 1333 – Chácara Municipal) Classificação: A14 Anos. Duração: 80 min
Serviço:

FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – FIT RIO PRETO 2026
De 16 a 25 de julho, em São José do Rio Preto (SP)
Realização: Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e Sesc São Paulo
Apoio: Conselho Municipal de Políticas Culturais.
Parceria: Sesi São Paulo e Senac.

INGRESSOS ESPETÁCULOS
Espetáculos realizados nos teatros municipais Humberto Sinibaldi Neto, Paulo Moura e Nelson Castro, no teatro e ginásio do Sesc, no auditório do Senac, no teatro do Colégio Santo André, no CEU das Artes e na Swift: entrada gratuita, com capacidade sujeita à lotação de cada espaço.

Disponíveis de forma on-line, dia 8 de julho, quarta, a partir das 18h, no aplicativo Credencial Sesc SP ou site https://centralrelacionamento.sescsp.org.br/

Limitações de ingressos: 2 ingressos por pessoa, por espetáculo.

Verifique a classificação indicativa de cada espetáculo.

Espetáculos que acontecem no Centro Cultural Sesi São José do Rio Preto
Preto – espaço Flamboyant: Os ingressos estarão disponíveis a partir de 8 de julho (quarta-feira), às 16h, pelo site do Meu SESI (riopreto.sesisp.org.br). Também haverá uma cota para distribuição presencial no local, uma hora antes de cada espetáculo.

Espetáculos que acontecem em espaços abertos, o anfiteatro Nelson Castro, nas praças Ruy Barbosa e Dom José Marcondes, na rodoviária, na favela Marte, nos Núcleos Alvorada, Vila Azul, Santa Catarina e Santa Clara, no Parque Olinda Tarraf, na Cidade das Crianças e nos distritos de Schmitt e Talhado: são gratuitos, sem necessidade de retirada de ingressos, com acesso sujeito à capacidade de cada local.
Programação completa e mais informações no site fitriopreto.com.br