O Diabo Veste Prada 2: Filme resgata a moda como arte e espelho do novo comportamento feminino
Fonte: Jennifer de Paula | MF Press Global
Fotos: Ana França (IMF Pres Global) Foto Ilustrativa (Reprodução/Divulgação)
Com figurino refinado e um enredo que promete atualizações sobre poder, imagem e gestão, sequência do clássico de 2006 estreia em maio de 2026. Para a designer Ana França, o novo filme sinaliza um amadurecimento estético e emocional das personagens e da indústria
Quase duas décadas depois do sucesso estrondoso de “O Diabo Veste Prada”, a continuação do longa já tem data de estreia confirmada: 1º de maio de 2026.
A Disney oficializou o retorno de Meryl Streep (Miranda Priestly), Anne Hathaway (Andy Sachs), Emily Blunt (Emily Charlton) e Stanley Tucci (Nigel) ao universo da revista Runway, agora em um cenário editorial digitalizado e em crise.
Com direção de David Frankel e roteiro assinado novamente por Aline Brosh McKenna, o filme promete ir além das disputas de ego e do glamour da moda. A narrativa irá explorar os bastidores do novo jornalismo de moda e os desafios da publicidade digital.
Desta vez, Emily retorna como executiva poderosa do setor publicitário, controlando os anúncios que podem ou não salvar a Runway, o que deve alterar drasticamente sua relação com Miranda.
Mas se o enredo promete amadurecimento, o figurino parece seguir o mesmo caminho. E quem analisa isso com profundidade é Ana França, designer de moda com mais de 20 anos de experiência em alta costura e especialista na moda como expressão emocional e artística. Reconhecida por ter criado mais de 600 vestidos de noiva ao longo da carreira, Ana hoje lidera uma galeria em Minas Gerais voltada à moda com viés artístico, um espaço que busca ressignificar a relação entre corpo, imagem e experiência.

Moda além da tendência: O figurino como narrativa
Para Ana França, o segundo filme mantém a força do primeiro no que diz respeito à atemporalidade.
“Boa parte dos looks de 2006 ainda funcionam hoje. São peças que resistiram ao tempo sem parecer datadas ou caricatas e isso é raro. O que se observa até agora nos vazamentos e registros de gravações é uma continuidade dessa estética que transcende o hype e conversa com um senso de sofisticação duradouro”, afirma.
Análise dos looks: Moda, poder e personalidade:
1 – Emily Charlton: Mais poder, menos esforço

“Miranda sempre foi a personificação da sofisticação. Desta vez, há algo a mais: conforto. Um trench de lã Sacy P com cinto, saia fluida, salto bloco e óculos escuros compõem um visual que transmite autoridade, mas também atualização. É como se a personagem passasse a reconhecer a importância do bem-estar, será um prenúncio de uma gestora mais humanizada?”, destaca;
3 – Andy Sachs: O estilo que evolui com a vida

Moda que absorve, não só dita
Um dos pontos mais interessantes, segundo Ana França, é que a nova estética do filme reflete um fenômeno inédito na história da moda de luxo: A troca de influências entre as marcas e o público.
“Antes, a Vogue e grandes publicações ditavam a tendência. Hoje, elas também absorvem o que nasce nas redes, nas ruas, nos micro influenciadores, e essa mão dupla está presente nos looks do filme”.
Marcas como Dior, Jimmy Choo e Valentino dividem espaço com nomes mais jovens, numa curadoria assinada por Patricia Field (figurinista original do primeiro longa) que agora tem o apoio oficial das grifes.
Diferente de 2006, quando houve resistência das maisons devido às referências veladas a Anna Wintour, desta vez as marcas estão disputando visibilidade no set.
“Hoje o diabo não veste só Prada, ele veste hype, veste rua, veste o agora. E, mais do que isso, ele veste sentimentos, decisões, rupturas e recomeços”, conclui Ana França.


Sobre Ana França
Graduada em Designer de Produtos pela UEMG, Especialista em Moda Noiva pelo Instituto Marangoni de Paris. Com formação em Designer Artístico de Moda com Ênfase no Comportamento Humano. Com quase 20 anos de experiência, tem em seu portfólio mais de 600 noivas e dezenas de convidados.