Fonte: Bernardo Guedes

Foto: Studio Realce Digital – Looks: Ratimbum Fantasias

Com direito a ensaio fotográfico inspirado no filme da Barbie, jornalista de 48 anos rebate julgamento de haters na internet e abre debate sério sobre preconceito de idade.

O que deveria ser apenas a celebração de um projeto em família e de pura criatividade digital transformou-se em um profundo debate sobre respeito, diversidade geracional e os limites da internet. O jornalista, criador de conteúdo e maior colecionador de bonecos Ken do Mundo Bernardo Guedes foi vítima de ataques de etarismo (discriminação baseada na idade) em um grupo de mensagens, após compartilhar sua inscrição ao lado da filha, a influenciadora Isadora Guedes (Isinha), para a nova temporada do reality show Corrida das Blogueiras 8 da Dia TV e Diva Depressão.

Diante de comentários hostis que tentavam desqualificá-lo, afirmando que ele “não teria idade” ou “perfil” para o programa, Bernardo decidiu não se calar. Em vez de se abater pelo julgamento precipitado daquilo que chama de “o tribunal de minúsculas causas da internet” (onde haters destilam sentenças sem sequer conhecer a história das pessoas), ele deu o troco com inteligência, arte e muito bom humor.

De “Jurássico” a “Gen Z”: O protesto em forma de arte

Para rebater as críticas de forma leve, mas com uma mensagem contundente, Bernardo e Isinha posaram para um ensaio fotográfico exclusivo assinado pelo Studio Realce Digital e Ratimbum Fantasias. Nas imagens pai e filha aparecem com roupas listradas de presidiários e placas de identificação, em uma clara e divertida referência à icônica cena do filme da Barbie (Barbie The Movie 2023).

Enquanto Isadora exibe com orgulho a placa com os dizeres “GEN Z” (nascida em 2005), Bernardo segura sorridente a sua identificação como “JURÁSSICO” (nascido em 1977). A brincadeira serve para escancarar o absurdo do preconceito geracional no ecossistema digital, mostrando que a comunicação e a criação de conteúdo não têm prazo de validade e unem gerações.

O etarismo não é brincadeira: Quando o preconceito flerta com o crime

Apesar de responder à situação com ironia, Bernardo ressalta que o assunto por trás dos holofotes é extremamente sério. O etarismo é uma violência psicológica estrutural e silenciosa. No Brasil, embora a discriminação por idade seja tipificada como crime principalmente através do Estatuto da Pessoa Idosa (para cidadãos com 60 anos ou mais), o preconceito contra indivíduos na faixa dos 40 e 50 anos é uma realidade cruel no mercado corporativo e nas redes sociais.

“Eu decidi não registrar um Boletim de Ocorrência (BO) ou levar o caso formalmente à polícia por não me enquadrar legalmente como idoso perante a lei aos 48 anos. Mas o preconceito existe, machuca e é real. Fui julgado e condenado por pessoas que acham que a maturidade invalida a capacidade de inovar. É preciso que a sociedade entenda que o etarismo é sim uma agressão séria, que muitas vezes envolve a polícia, e que a internet não pode ser um território sem leis para validar esse tipo de hostilidade”, desabafa o jornalista.

Com uma carreira sólida na comunicação, histórico de grandes eventos e forte atuação social, Bernardo reforça que o envelhecimento deve ser sinônimo de orgulho, bagagem e relevância. “Quero deixar o meu legado” – comenta.

A provocação agora fica para o mercado do entretenimento, para as marcas e para o público do Corrida das Blogueiras: o ambiente digital continuará limitando o espaço de quem tem história para contar, ou os grandes formatos estão finalmente prontos para abrir as portas para a união perfeita entre a energia da Geração Z e a experiência da maturidade? A resposta para o futuro da criação de conteúdo digital parece estar estampada no sorriso confiante de pai e filha.