Fonte: Gabriela Andrade
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Psicoterapeuta Daniele Caetano explica como o desapego vai muito além dos objetos e pode abrir espaço para o novo em todos os aspectos da vida
Mais do que objetos, emoções
Desapegar não é apenas uma questão de se desfazer de roupas, papéis ou lembranças antigas. É um movimento interno, profundo, que envolve emoções, crenças e vínculos que já não fazem mais sentido.
“O que fica travado fora muitas vezes é o reflexo do que está acumulado dentro da gente”, explica Daniele Caetano, psicoterapeuta e fundadora da Caminhos da Terapia e da Mentoria Bem Me Quero.
Para ela, permitir o desapego é permitir o movimento da vida. “Quando tiramos algo da casa, abrimos espaço — e esse espaço não é só físico, é também mental e emocional. A casa é uma extensão do nosso mundo interno, e ao organizar ou deixar ir, estamos dizendo a nós mesmas: ‘Eu confio no novo, eu mereço o novo’ ”.
Um ato de leveza e autoconhecimento
Doar ou descartar algo é, segundo Daniele, um ato libertador. “A energia começa a fluir de outro jeito, o humor muda, o corpo relaxa”, afirma.
Mas o processo não deve ser apressado nem acompanhado de culpa. “Comece pequeno, uma gaveta, uma prateleira, e vá sentindo o que cada objeto desperta. O desapego é um exercício de autoconhecimento. Muitas vezes, o que seguramos com força não é o objeto em si, mas a história que ele carrega”.
O que permanece dentro da gente
Roupas, presentes e lembranças de relações passadas costumam ter uma carga emocional mais intensa. “Esses itens são símbolos de vínculos e de fases da vida. O medo de se desfazer deles é, na verdade, o medo de perder o que aquela história significou. Mas o que é verdadeiro não está no objeto, está dentro da gente”, reflete.
Ela lembra o caso de uma mulher que guardava as roupas do casamento, mesmo após a separação. “Para ela, se desfazer daquilo era como admitir o fim. Aos poucos, foi compreendendo que o fim não apaga o amor, apenas transforma a história. Quando finalmente doou as roupas, disse que sentiu um alívio físico, como se respirasse de novo. Pouco tempo depois, reorganizou a casa e começou um novo relacionamento com ela mesma”.
Doar é um gesto terapêutico
“Doar é uma troca de energia. Quem doa se abre para o novo, quem recebe sente-se acolhido. O que já cumpriu seu ciclo com a gente pode ser a chance de recomeço para outra pessoa.”
Para decidir o que fica e o que vai embora, Daniele sugere três perguntas simples:
- Isso ainda me representa?
- Isso me traz uma boa energia?
- Isso tem um propósito na minha vida hoje?
“Se a resposta for ‘não’ para duas delas, talvez seja hora de deixar ir”, orienta.
Pequenos rituais, grandes transformações
Para manter a leveza e evitar novos acúmulos — de coisas e de emoções —, a psicoterapeuta recomenda pequenos rituais: abrir as janelas todos os dias, acender um incenso, ouvir uma música que eleve o humor ou fazer uma limpeza a cada nova estação.
“São gestos simples, mas simbólicos. Assim como a gratidão e o autocuidado, eles ajudam a manter o coração em constante renovação”.
Sobre a especialista
Daniele Caetano é psicoterapeuta individual e familiar, fundadora da Caminhos da Terapia. Graduada em Gestão de Pessoas e pós-graduada em Psicologia Organizacional e Neuropsicologia, é certificada em Neurofisiologia, Constelação Familiar Sistêmica, Hipnoterapia Clínica, PNL e Grafologia Avançada.
É palestrante, mentora e voluntária do CVV (Centro de Valorização da Vida).
Instagram: @caminhosdaterapiadc
