Fonte: Júllia Diogo – Capuchino Press
Fotos campanha: Divulgação Deep
A tendência batizada de Brazilcore, que consiste na utilização de cores da bandeira nacional em contextos de moda, passa por um processo de ressignificação no mercado brasileiro. O movimento, que teve origem em manifestações populares e no vestuário esportivo, agora é analisado sob a ótica do design e da aplicação técnica de materiais para alcançar o público do segmento de moda feminina. Atentas a esse comportamento, as marcas Deep, LOE e Secret, que integram o mesmo grupo vêm incorporando elementos da tendência em suas coleções, cada uma a partir de sua identidade e proposta de estilo.
A transição de tons como o verde-bandeira e o amarelo-canário para coleções que visam a sofisticação depende, prioritariamente, da construção da peça e da escolha têxtil. De acordo com informações da Deep, marca com atuação no Ceará, Paraná e Goiás, a aplicação dessas cores em tecidos de fibras naturais, como o linho, altera a percepção visual da tendência, conferindo-lhe uma característica de perenidade.
“A moda é um convite para o toque e a experimentação. Quando trazemos elementos de uma tendência popular como o Brazilcore, nosso objetivo é materializar uma curadoria que valorize a peça como um item de estilo atemporal”, destaca Ana Paula Aguiar, diretora criativa e proprietária da Deep.
Para que tonalidades vibrantes sejam integradas a um guarda-roupa funcional e clássico, o mercado de moda tem adotado três estratégias centrais:
Substituição de Materiais: A troca de tecidos sintéticos por bases estruturadas permite que a cor ganhe profundidade.
Alfaiataria como Base: O corte de alfaiataria é utilizado para neutralizar o aspecto informal das cores, inserindo o verde e o amarelo em ambientes formais e corporativos.
Coordenação Cromática: O uso de composições monocromáticas ou a combinação com paletas neutras, como bege e off-white, é o recurso técnico utilizado para equilibrar a saturação das cores.
Na LOE, a tendência é observada a partir da construção de um guarda-roupa versátil, no qual a cor funciona como elemento de expressão sem comprometer a elegância. “Quando trabalhadas em modelagens bem estruturadas e associadas a tons neutros, essas cores ganham sofisticação e ampliam as possibilidades de uso. O desafio está justamente em equilibrar identidade e atemporalidade”, afirma Ana Paula Aguiar, também porta-voz da marca.
Já para a Secret, a leitura do Brazilcore está relacionada à valorização da autenticidade feminina e ao uso estratégico das cores para comunicar estilo.
“As consumidoras estão cada vez mais interessadas em peças que transmitam personalidade. O verde e o amarelo aparecem como elementos de destaque, mas inseridos em propostas que priorizam qualidade, acabamento e versatilidade”, explica Alice Lima, diretora da Secret.
O fenômeno do Brazilcore reflete uma busca por identidade, mas sua permanência nas vitrines depende da capacidade das marcas de traduzir o conceito para o design autoral. Nas coleções das marcas Deep, LOE e Secret, a tendência é interpretada de diferentes formas, sempre com foco na valorização da modelagem, dos acabamentos e da versatilidade das peças.
