Fonte: Marilia Salla – Ale Gusmão Comunicação
Fotos: Divulgação
Bruno Borges – Banho da Saudade

“A saudade é, por definição, uma fenda no tempo. É o presente sentindo falta de um passado que ainda está vivo dentro de nós.” Na CASACOR São Paulo 2026, o banheiro de 33 m² desenhado pelo arquiteto Bruno Borges, do escritório BSB Arquitetura, propõe um percurso sensorial e introspectivo. Com hall de entrada e banheiro funcional, foi concebido como uma experiência de desaceleração, na qual arquitetura, arte e ritual se articulam para provocar um estado de presença. O ambiente é banhado pela luz natural filtrada por um vitral artesanal de quase 4 metros. O desfecho ocorre diante da escultura Levitação, de Leopoldo Martins, sobre um banco de quartzito Tempest Green, reconstruído manualmente com técnica inspirada no kintsugi, revelando a beleza do que foi reparado. Acompanhando todo o trajeto, uma paisagem sonora em frequência de 528 Hz é pontuada pelo som de vidro quebrando — um estalo sensorial que ancora a mente.
Felipe Rossi – Casa Limiar R

O arquiteto Felipe Rossi assina pela primeira vez um ambiente na CASACOR São Paulo 2026: a Casa Limiar R, um loft de 80 metros quadrados construído do zero no Parque da Água Branca. O nome carrega duas referências, o conceito de passagem e travessia na arquitetura e uma homenagem discreta à mãe do arquiteto, Rosângela. O projeto se organiza em planta retangular com um único corte angulado a 5 graus, pé-direito de 4,20 metros e grandes painéis de vidro que integram os ambientes internos ao paisagismo de Bia Abreu e à vegetação do parque vizinho. Madeira natural, aço inox e Travertino Rosso formam a paleta material, enquanto o mobiliário reúne peças de designers brasileiros como Sérgio Rodrigues, Leo Lague e Fernando Mendes, além de criações autorais do próprio Felipe. Obras de Macaparana, João Trevisan, Osmar Dalio e artistas do Arter Atelier completam a curadoria de um espaço que aposta na simplicidade formal como caminho para uma experiência sensorial mais densa.
Volar Interiores – Casa EcoMorada

Alinhada ao tema da CASACOR São Paulo 2026, “Mente e Coração”, a Casa Ecomorada, assinada pelo escritório Volar Interiores, surge como um grande coração pulsante em meio ao Parque da Água Branca. Na estrutura modular vermelha, as janelas emolduram o tempo e nos convidam a entrar, enquanto a varanda amplia o olhar e oferece um merecido respiro. Com dois acessos — pela escada frontal ou por um percurso acessível pelo jardim —, o projeto de 60 m² abriga sala de estar, jantar e cozinha. Como elo afetivo e ponto focal, uma bancada de cerâmica ampla e linear integra fogão, área de preparo e cuba. Revestida com cerâmicas artesanais e sustentáveis, também aplicadas no piso, a peça recebe pintura à mão da artista visual Serei a Folha, com signos que representam as origens distintas das profissionais e sua posterior união.
Maria Araujo – Casa Brasiliense

A arquiteta Maria Araujo estreia na CASACOR São Paulo 2026 com a Casa Brasiliense, ambiente de 61 metros quadrados instalado em um dos casarões tombados dos anos 1920 no Parque da Água Branca. O projeto responde ao tema da mostra, Mente e Coração, por meio de escolhas concretas: portais de rigor cartesiano que evocam o traçado de Brasília e um conteúdo que privilegia artistas, designers e fornecedores do Centro-Oeste. A intervenção respeita a preexistência do edifício, mantendo janelas, piso original e rodatetos, enquanto introduz marcadores contemporâneos como a moldura em MDF avermelhado nos arcos. Os revestimentos em MDF de pau-ferro e laminado de sucupira carregam carga simbólica da arquitetura brasiliense, e o mobiliário combina referências internacionais com produção local, entre elas peças de Tunico Lages e Danilo Vale. Obras de Siron Franco, Renato Rios e Helô Sanvoy completam a curadoria, conduzida com a Galeria Cerrado.
Teresa Simões – Qalb Boutique Café

Estreante na mostra, o escritório Teresa Simões Arquitetura assina o Qalb Boutique Café, concebido como um espaço de permanência e convivência, destinado a encontros, pausas e experiências gastronômicas e sensoriais. Além do uso comercial, o espaço de 313 m² propõe momentos de contemplação, setorizado em hall de entrada, salão principal, adega, espaço de transição entresalas, Sala dos Arcos e cozinha de apoio operacional. O projeto reinterpreta elementos clássicos do edifício de forma contemporânea, especialmente por meio dos arcos, das superfícies curvas e da materialidade natural, representada pelo Quartzito Luise Blue, aplicado no balcão e nas paredes; pelo piso da Portinari, inspirado no travertino; e pelos painéis de madeira da Duratex.
Estúdio Musgo – Refúgio Fleury

O paisagista Denis Bessa, do Estúdio Musgo, assina o Refúgio Fleury na CASACOR São Paulo 2026: um ambiente de 226m² situado na passagem entre os dois prédios principais da mostra e concebido como pausa deliberada no percurso. O projeto responde ao tema Mente e Coração propondo uma recalibração sensorial por meio de plantas aromáticas, espelho d’água, som da água e presença de árvores. A linguagem formal é angular, com bancos triangulares, espelho d’água poligonal e lareira escultórica revestida em espelho, geometria que se repete no deck de garapeira com recortes triangulares. A vegetação segue duas diretrizes: 70% de espécies nativas brasileiras e a presença de plantas aromáticas como alecrim, lavanda e capim-limão. As protagonistas são 15 sibipirunas de até seis metros, cujas copas formam o teto vegetal do espaço, acompanhadas de sete-copas africanas e jabuticabeiras. O mobiliário inclui poltronas de Carlos Motta, espelhos de Tomas Graeff e obras de Moyses Mellin, distribuídos ao longo de um percurso que alterna sofá central, arquibancada e área de lounge junto à lareira.
Carol Barreto – Samadi House | Powered by Denza

Em meio à intensidade da capital paulistana, o espaço de 114 m² surge como um respiro: um refúgio estruturado em steel frame que integra copa, varanda, academia equipada para musculação e práticas de solo, spa com hidromassagem, sauna privativa, sala de massagem e jardins tropicais, criando uma experiência sensorial contínua em que arquitetura, natureza e tecnologia coexistem em harmonia. O conceito surge de uma viagem a Bali e propõe um alinhamento entre o destino indonésio e o sul da Bahia, ambos situados no Paralelo 17. Mais do que um dado geográfico, isso simboliza um espelhamento de energia, natureza e sensibilidade entre dois territórios distantes, mas profundamente alinhados em essência. O projeto também integra o lançamento do Denza Z9GT, reforçando o diálogo entre tecnologia e tempo — o verdadeiro ativo do luxo contemporâneo.