Fonte: Agência Lazuli

Foto: Divulgação

Em “Closet em Terapia”, atriz e criadora de conteúdo revisita mais de 120 peças de seu guarda-roupa, abandona escolhas feitas por impulso e constrói uma estética mais madura, enquanto vive uma nova etapa profissional no audiovisual

Há mudanças que começam no armário, mas não terminam nele. Para Carol Bresolin, a decisão de rever o próprio guarda-roupa se tornou uma forma de olhar para uma fase que ficou para trás e entender o que ainda fazia sentido carregar para o futuro. Esse processo ganhou forma em “Closet em Terapia”, projeto em que a atriz e criadora de conteúdo revisita o próprio estilo, se desfaz de mais de 120 peças e repensa a maneira como se apresenta, com a ajuda da sua stylist Mara Alice. Entre roupas compradas por impulso, itens que permaneceram anos com etiqueta e peças associadas a tendências passageiras, Carol identifica hábitos de uma versão anterior de si mesma.

O resultado é uma mudança que ultrapassa a estética. O guarda-roupa passa a acompanhar um momento de vida marcado pelo amadurecimento pessoal e profissional, com uma carreira cada vez mais ligada ao audiovisual, a projetos autorais e a novos formatos de dramaturgia.

“Quando você olha para o que tem no armário, também acaba olhando para quem você era quando escolheu cada peça”, afirma Carol Bresolin.

A transformação começa pela triagem. Entre as peças deixadas para trás estão roupas muito curtas, jeans, recortes marcados, estampas chamativas e escolhas feitas mais pela tendência do momento do que por uma construção consciente de estilo. Algumas sequer chegaram a ser usadas, apesar de terem permanecido durante anos no closet.

A autocrítica, no entanto, não vem acompanhada de rejeição ao passado. Carol revisita as próprias escolhas com humor e reconhece que elas fizeram sentido em determinados momentos. A mudança está justamente em entender que o estilo também pode acompanhar uma transformação pessoal.

A nova proposta privilegia uma cartela mais sóbria, com preto, cinza, bege, branco e tons terrosos, além de modelagens mais amplas e estruturadas. Blazers oversized, camisas sociais, calças pantalonas e vestidos fluidos ou acetinados passam a ocupar espaço central. É uma estética menos dependente de tendências e mais baseada em peças que podem atravessar diferentes ocasiões e momentos.

Nesse contexto, a moda funciona também como uma linguagem. Antes mesmo de falar, a roupa comunica referências, fase de vida e posicionamento. Para uma personalidade que transita entre redes sociais, cinema e televisão, essa comunicação ganha uma dimensão ainda maior. A imagem deixa de ser apenas uma escolha visual e passa a fazer parte da construção de uma identidade pública.

O conceito de “Closet em Terapia” está justamente nessa relação entre organização externa e revisão interna. A proposta de limpar o guarda-roupa funciona como uma forma de encerrar ciclos e repensar hábitos de consumo. O processo questiona uma lógica comum entre consumidores de moda: comprar porque uma peça está em alta, porque apareceu nas redes sociais ou simplesmente porque parecia uma boa ideia naquele momento.

Ao separar o que fica e o que sai, Carol também estabelece novos critérios para consumir. As peças em bom estado ganham novos destinos, entre doações e brechós, prolongando a vida útil das roupas. Ao final do processo, o closet aparece mais vazio e organizado, mas também mais alinhado ao momento que ela vive.

A transformação do estilo acompanha ainda uma mudança na maneira como Carol pretende se relacionar com o público. Depois de construir uma trajetória como criadora de conteúdo, ela amplia sua atuação no audiovisual e em projetos autorais. A carreira passa a reunir produção de conteúdo, cinema e formatos como as novelas verticais, em um movimento que amplia sua presença diante das câmeras.

Nesse contexto, o desafio deixa de ser apenas manter presença nas redes e passa a envolver escolhas sobre como e em quais histórias quer aparecer. A busca também se estende à forma de produzir conteúdo, com uma exposição menos controlada e uma relação mais próxima da realidade de quem acompanha seu trabalho.

“Hoje eu quero que a minha imagem tenha mais a ver comigo do que com aquilo que esperam que eu use ou mostre”, afirma.

Carol Bresolin