Fonte: Isabela Valente – AZZI+CO
Fotos: Zagna Divulgação
O evento, que contou com convidados como Stellan Skarsgard, Rami Malek, Mahershala Ali, Gael Garcia, Cauã Reymond e Henrique Zaga, destacou uma visão contemporânea da moda, onde sofisticação, leveza e funcionalidade caminham lado a lado
Quando a vida muda de lugar por uma temporada, o lar se desloca junto, e o armário acompanha esse movimento.
Como uma filosofia profundamente mediterrânea moldada em torno da vida sazonal, do lazer cultivado e do prazer de levar temporariamente o próprio mundo para outro lugar, La Villeggiatura tem suas raízes na tradição italiana de villeggiare- passar uma temporada em uma vila. Seu auge ocorreu entre as décadas de 1950 e 1970, e nunca significou simplesmente viajar. Tratava-se de transferir a própria vida para outro lugar durante uma estação: família, rituais, conversas, hábitos e uma certa ideia de elegância deslocavam-se juntos de um local para outro, preservando seu espírito e seus costumes enquanto encontravam formas mais suaves e descontraídas de expressão.Mais do que férias, era viver temporariamente em uma nova casa, seguindo um ritmo mais lento.
Para a ZEGNA, cuja herança familiar é repleta de imagens e memórias de inúmeras villeggiature vividas perto e longe, esse conceito continua relevante porque representa, acima de tudo, um estado de espírito — uma forma de abordar o estilo e a vida. É uma expressão do saper vivere e, certamente, do saper vestire. Vestir-se, no contexto da Villeggiatura, assume, na verdade, uma perspectiva totalmente diferente. A formalidade cede espaço à fluidez, sem abrir mão da sofisticação. Surge uma elegância intuitiva, marcada pela espontaneidade dos gestos e por uma leveza quase musical. As listras, símbolo por excelência do verão, percorrem toda a coleção em versões irregulares e orgânicas, como uma partitura visual que embala o ritmo descontraído da estação.
Apresentado no Malibu Pier, o desfile acontece em uma das paisagens costeiras mais icônicas da Califórnia. Por meio de seu apoio aos Parques Estaduais da Califórnia, a ZEGNA contribui para a preservação de terras públicas, ampliando uma visão iniciada há mais de um século com a criação do Oasi Zegna: a crença de que a natureza não é apenas um cenário para a vida, mas ser protegida, cultivada e legada às futuras gerações.

O diretor artístico Alessandro Sartori fundamenta sua visão em uma genuína apreciação pelas roupas como objetos que detêm o poder de definir atitudes e sugerir maneiras de ser e se comportar. Ele diz: “Ao criar novas categorias, apagando as antiquadas em uma busca incessante por estilos adequados à vida fluida de hoje, tenho a enriquecedora possibilidade de criar uma estética em constante evolução, enraizada nos clássicos, mas livre de restrições ultrapassadas. Nesta coleção, quis expressar a interpretação da ZEGNA para o verão: nossa visão de um guarda-roupa para momentos de lazer permeado por uma atitude refinada e por um olhar criterioso, profundamente italiano. Há algo muito nosso no que fizemos nesta temporada, mas com uma abertura que se revela cosmopolita, em vez de orgulhosamente ou estritamente local.O desejo de experimentar, que na ZEGNA se manifesta tanto nas formas quanto nos materiais, continua a nos impulsionar. Tudo aqui nasce dos tecidos, que carregam textura e padrões, e que parecem se renovar infinitamente por meio de pequenas transformações, de sutis ajustes nos elementos mais delicados, até mesmo em um simples fio.A evolução constante é o que buscamos”.
A silhueta é vertical e descontraída: ampla ou levemente ajustada, sempre fluida, com linhas que tocam suavemente o corpo. Os ternos listrados são usados com camisas coordenadas, ampliando a ideia de blocos de cor. As camisas aparecem em modelagens estruturadas ou fluidas, confeccionadas em napa, nobuck, couro de crocodilo ou seda. Combinadas a bermudas de alfaiataria, representam a essência da elegância descomplicada da Villeggiatura. A versatilidade é uma assinatura da ZEGNA: a ideia de permitir múltiplas formas de uso, possibilitando que cada pessoa adapte a aparência da peça de acordo com seu humor e momento. As camisas apresentam golas removíveis e intercambiáveis; os blazers contam com meio-cintos ocultos e ajustáveis, criando uma silhueta mais marcada ou mais solta. A jaqueta trespassada multifuncional apresentada na temporada passada retorna nesta coleção. As overshirts são fluidas e precisas; as jaquetas de tricô unem estrutura e maciez. Anoraques de couro e bombers em intarsia fazem referência ao universo náutico sob uma perspectiva luxuosa. Detalhes smock em golas altas, além de camurça trançada e tricotada em bombers e pullovers, enriquecem um jogo visual e tátil de texturas baseado em combinações inesperadas de listras e tramas.





