Fonte: Graziela Delalibera
Foto: Natalia Tupi
Nesta quarta (13/5), Ideias para Adiar o Fim do Mundo, protagonizado por Yumo Apurinã, com direção de João Bernardo Caldeira, tem sessão gratuita às 20h, no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, com retirada de ingresso 1h antes. Segundo dia da mostra também tem Baile do Kayque no ponto de encontro, a partir das 22h, entre outras atividades
Em seu segundo dia de programação, nesta quarta, dia 13 de maio, a 7ª edição da Mostra Cênica Resistências segue com espetáculos, ação formativa e bar cultural, tudo com entrada gratuita. Um dos destaques é o espetáculo Ideias para Adiar o Fim do Mundo, inspirado em obras, falas e na trajetória do líder indígena e membro da Academia Brasileira de Letras, Ailton Krenak. A apresentação é às 20h, no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, com ingresso gratuito retirado 1h antes no local e acessibilidade em Libras.
“Somos mesmo uma humanidade?”. Essa é a pergunta que ecoa no palco do espetáculo, que é protagonizado por Yumo Apurinã, com direção de João Bernardo Caldeira. Inspirada também na trajetória do ator, a peça revisita o tratamento dado pelo Brasil ao povo indígena ao longo de sua história.
Em cena, Yumo conta sua própria história. O ator vive no Rio de Janeiro e nasceu na Aldeia Mawanaty, terra indígena situada em Rondônia, na Amazônia Legal, onde foi criado sob a evangelização e o apagamento da sua cultura. Tentando reconstruir sua relação com a ancestralidade, enfrenta, no cotidiano, estereótipos persistentes: “Você é índio de verdade? Come carne de macaco? Por que não está na sua aldeia?”.
“Sou constantemente colocado à prova. Meu corpo não corresponde ao ‘índio’ do imaginário da cidade, mas também não caibo em outras classificações. Ainda assim, sei quem sou: um Pupỹkary Apurinã. O pertencimento é o que me orienta. Sei de onde vim, onde estou e penso meu futuro a partir disso”, afirma Yumo.
Em um planeta marcado por forças como tiro, boi, cimento e cruz, a peça evidencia a violência fundadora do Estado brasileiro: a distinção entre corpos considerados civilizados e aqueles historicamente destinados ao apagamento, à expropriação e à morte.
